Entrevista a Felipão Jogador da Équipa Senior de Futsal da Balantuna

Dando uma volta até fora do país, mais precisamente aos Países Baixos, encontramos por lá o nosso Felipão, que, por questões extra desportivas, teve de se afastar daquilo que mais gosta, jogar Futsal. Contudo não queríamos que estivesse ausente das nossas entrevistas, como tal temos todo o prazer em deixar aqui o seu testemunho:

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Nome completo?

Carlos Filipe Baptista Gama Oliveira

Idade?

23

Posição?

Ala

Clubes que representaste?

Associação Desportiva de São Pedro da Cova Futebol 11 (infantis e iniciados), Unidos Pinheirense (juvenis), Marybar (juniores), Juventus da Triana, C.A Corim, Vale de Cambra e Balantuna (seniores).

Época mais marcante e porquê?

Foram duas épocas distintas, uma nas camadas jovens do Pinheirense, por ser o primeiro ano no Futsal federado e sagrar-me campeão logo no ano de estreia e foi também a época já em seniores onde jogava no C.A Corim por sermos campeões de série e vice-campeões de divisão.

O ano passado estiveste a competir na 2ª Divisão Nacional, tendo este ano abraçado o projeto da Balantuna na 1ª Divisão Distrital. Quais as principais diferenças encontradas e os aspetos positivos e negativos de jogar em níveis tão distintos?

As diferenças são imensas, a segunda divisão por si exige muito mais que qualquer divisão distrital, é um patamar onde a qualidade dos atletas é diferente e logo existe muito mais qualidade técnica e tática principalmente mas nas divisões distritais existe muitos jogadores de grande qualidade que poderiam bem jogar numa divisão nacional. Não fugindo a tua pergunta, os aspetos positivos de jogar numa segunda divisão parte logo do tipo de preparação que tens, com pelo menos 3 ou 4 treinos semanais ao contrário das distritais, por infelicidade dos clubes que só têm 1 ou 2 treinos, no máximo, e com muito esforço dos seus dirigentes. São realidades completamente diferentes que por muito que estivesse para aqui a descrever teria de ser vivido para ser sentida essa diferença.

Na Balantuna encontraste um balneário que já estava formado do ano anterior. Foi fácil a adaptação ou demorou algum tempo até te sentires à-vontade dentro do grupo?

Foi bastante fácil para ser sincero, fui muito bem recebido pelos meus companheiros e claro foram eles que me ajudaram a ter uma adaptação rápida, não esquecendo também a direção que foi excelente comigo desde o primeiro dia.

O início do campeonato trouxe-nos algumas desilusões. Como foi lidar com as exibições menos positivas e a pressão de ter de lutar contra os maus resultados?

Foi bastante difícil depois de ter empatado nas duas primeiras jornadas, quando sentia que defrontávamos equipas que estavam ao nosso alcance e não demonstravam em campo nada que se superiorizassem a nossa equipa mas o mais difícil nesse início foi logo na terceira jornada quando tivemos a primeira derrota, aí não havia mais margem de erro se queríamos lutar e aspirar pelos objetivos a que nos tínhamos proposto. Nunca antes em outra época tinha passado por isso mas há sempre uma primeira vez para tudo e um início destes espero que fique só para exemplo para o resto das carreiras destes jogadores porque depois dessa fase negra conseguimos unir-nos e ouvir as ideias do treinador e obter os resultados mais desejados, mais propriamente as vitórias. É assim que se ganham e formam boas equipas, e a nossa é uma grande equipa, porque não foi fácil treinar numa semana em que tínhamos esses maus resultados, mesmo assim levantamos a cabeça e trabalhamos para lutar pelas vitórias e ocupar os lugares cimeiros!

As tuas exibições pareceram evoluir com a melhoria significativa da equipa e com a chegada dos bons resultados. O que mudou com para os resultados começarem a aparecer e a exibições serem mais conseguidas?

A ânsia de vencer, o querer mudar a imagem que vínhamos a ter, pois não era essa a realidade deste plantel nem a imagem que queria que a Balantuna tivesse. Depois de começar a ganhar, a minha confiança também subiu e tudo se tornou mais fácil em campo pois tudo começa a sair naturalmente, não esquecendo os meus excelentes companheiros de equipa, mister e direção que muito me ajudaram a subir a minha moral que estava em baixo durante aquela fase mais negra no campeonato. A chave para essa subida de forma estava numa célebre frase dita pelo mister num treino em que disse: é diferente treinar após uma vitória do que treinar após uma derrota!

Na melhor série deste ano até ao momento, com 6 vitórias e 1 empate, tiveste de abandonar a equipa por questões profissionais. O que sentiste quando tiveste de anunciar a tua decisão?

Na vida nunca estamos seguros de nada e temos de agir perante certas e determinadas situações e quando nos toca a repensar a nossa vida, é nela que nos temos que focar, pois apesar de amar este desporto não obtenho lucros com o Futsal, pode-me dar grandes amizades, grandes momentos mas não me da estabilidade financeira e como tinha uma oportunidade de ir trabalhar para o estrangeiro, não podia rejeitar, pois não tinha mais nada em Portugal. Até hoje foi a decisão mais difícil que tomei, pois deixei de fazer aquilo que mais gosto, que é jogar futsal e isso custou-me imenso, pois tive de deixar tudo família, amigos, tudo mesmo, mas depois da minha família, ter de deixar de jogar Futsal foi o que mais me custou e me custa ainda hoje, pois chegam os dias da semana e tenho saudades dos dias dos treinos e dos grandes dias que eram o dia dos jogos. Com este meu exemplo quero desde já deixar uma mensagem a todos os meus colegas de equipa que é para aproveitarem ao máximo o tempo em que estão a desfrutar desse desporto, dêem tudo de vocês, tanto nos treinos como nos jogos pois um dia têm de abandonar essa modalidade que todos gostamos, mas que esse dia seja por as pernas já não aguentarem mais, que não seja por algum percalço da vida pois na memória ficará que poderiam ter feito muito mais por esse desporto e pelo clube que representam.

A equipa apesar de ter averbado alguns resultados que não ajudaram ao nosso objetivo final, tem vindo a subir gradualmente na classificação. Tens acompanhado o nosso percurso desde a tua “saída” e o que pensas que pode acontecer até ao fim do campeonato?

O caminho está a chegar ao fim mas matematicamente ainda é possível. O importante é não desistir pois são 10 pontos de diferença (à altura da entrevista) mas irá haver confrontos entre as equipas dos lugares cimeiros e só nos resta conseguir vencer todos os jogos que faltam e esperar deslizes das equipas da frente.

A tua vida mudou radicalmente nos últimos meses, com a adaptação a um novo país e uma nova rotina. Como te estás a ajustar à nova realidade e quais as principais dificuldades que encontraste?

Sair das nossas origens para uma nova cultura é sempre difícil, pois existem muitas barreiras que separam diferentes culturas. A primeira barreira é a linguística que para mim é a mais importante, mas os próprios costumes das pessoas é-nos estranho a primeira vista mas acabamos por nos adaptar a isso com o tempo. Contudo estou bem num país onde tem uma grande qualidade de vida, a meu ver, muito diferente de Portugal, em vários aspetos. Mas nem tudo é bom, existe coisas que nos fazem sentir falta do nosso país, como sair a rua e ser saudado por uma pessoa em português, ir a qualquer superfície comercial e não ter problemas em nos expressar naquilo que queremos, e claro a família, faz sempre falta assim como os amigos para se terem os bons momentos. Umas das grandes ou se calhar a maior dificuldade que estou a ter cá é não haver uma única equipa de Futsal ou futebol na zona onde vivo e é muito difícil ter de estar a tanto tempo sem poder treinar em conjunto ou competir e ter de me treinar sozinho para me poder distrair e tentar manter a forma.

Apesar de teres abandonado temporariamente a prática da modalidade em Portugal, ainda és muito jovem para pensar em abandonar em definitivo. O que pensas sobre um possível regresso e o que prevês para o teu futuro e o futuro da Balantuna?

Nunca sabemos o nosso futuro mas adoraria poder regressar um dia e continuar a jogar Futsal, pois sou novo e tenho algum tempo para poder desfrutar do Futsal enquanto me permitir a minha vida. Saí a bem da Balantuna, com o respeito de todos e se um dia regressar a Portugal é na Balantuna que irei jogar, disso não tenho duvidas, é a minha segunda casa, a minha família do Futsal, quero voltar a ter contacto com esse magnifico grupo de trabalho sem exceção de ninguém. O futuro a Deus pertence, mas do futuro da Balantuna só posso dizer que as coisas são trabalhadas com tempo, ou seja planeadas, e com a direção que a Balantuna tem só posso dizer que no que poderem, irão tentar levar a Balantuna o mais longe possível, com esforço, dedicação e profissionalismo como foi feito até agora.

Desejos para 2014?

Olha Hugo só desejo três coisas: primeiro muita saúde porque precisamos todos muito dela e é o essencial para tudo o resto, depois muito trabalho o que em Portugal não está lá muito famoso mas melhores dias esperamos que venham, e para finalizar muito sucesso no futsal tanto para os meus colegas como para a Balantuna.

Algum comentário a fazer?

Não podia acabar esta entrevista sem agradecer a toda a família Balantuna, Presidente, a ti Hugo, Ismael e ao Santos que tudo fazem para o nosso bem-estar no clube, foi sem dúvida a melhor direção que já tive apesar de ser um clube amador mas com pessoas muito dedicadas e profissionais naquilo a que se propõem, também ao Mister e aos meus colegas de equipa. Quero também agradecer a minha MÃE, que todos os treinos e jogos me prepara o saco, a quem eu mais massacro a cabeça com os meus desabafos do Futsal, pois foi sempre ela que me ergueu quando eu mais precisei nesta modalidade, e agradecer-lhe pela paciência que tem comigo, pelo tempo a que me disponho para o Futsal e não disponho para ela, também agradecer a toda a minha família por me apoiar em tudo no que preciso para o Futsal. Um abraço a todos e muito sucesso nas vossas vidas.

Entrevistado por “Hugo Tavares”

Foto de “Miguel Oliveira”

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